Espaço Terapêutico Movimentos - Quem conta um conto, aprende um ponto
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Quem conta um conto, aprende um ponto

Era uma vez uma pata que, assistindo o romper dos ovos de seus filhotes, se deu conta de que um deles demorava para se partir e, quando aconteceu, qual não foi sua surpresa ao perceber que aquele último era tão diferente dos demais.

E qual foi sua reação? A pata-mãe conseguiu acolher seu rebento?

As histórias trazem a possibilidade de observar padrões, comportamentos, estados de alma. Quantas vezes não reconhecemos nessas histórias aspectos tão particulares? Quantas vezes não nos sentimos rejeitadas,  colocadas de lado, alvo de críticas por algo que criamos – como a pata-mãe – ou por reconhecermos nossa singularidade – como o patinho feio?

Como se trata de uma linguagem simbólica, esses contos são capazes de acolher múltiplas interpretações e, a maioria delas, adequadas.

E, por isso, essa pode ser a história de ‘alguém’ que, em algum momento da vida, não se reconhece e se encontra como alvo de julgamentos e críticas. Ele não sabe quem é e não passa desapercebido. Sua singularidade é apontada e isso incomoda.

APRENDENDO COM A HISTÓRIA

E esse pode ser o caminho de todos nós, únicos que somos. Há um momento em que precisamos reconhecer nossas diferenças, o que nos distingue dos demais. E para isso, nos lançamos no mundo e vamos nos experimentar em outros ambientes e em outras relações.

Vamos nos deparar provavelmente com outros que se sensibilizam com nossa jornada, mas não nos querem por perto; outros que esperam de nós coisas que não podemos oferecer; e em outros momentos, apesar de todo o esforço de nos mantermos por nossa própria conta e risco, somos capazes de cometer mais riscos por conta própria, até reconhecermos o tamanho de nossas penas, a extensão de nossas asas e aprender a lidar com a admiração que causamos para o bem e para o mal.

Esse conto nos remete a falta de reconhecimento por parte dos outros e também por nós mesmos.  Nos colocar na posição do patinho feio, banido pelo grupo, embora dolorido, é mais fácil, já que somos nós aqueles que precisam de acolhimento.

Mas, venhamos e convenhamos, e quando a falta é de auto acolhimento? Quanto relutamos em aceitar o que nos diferencia? Quão capazes somos de rejeitar aspectos que consideramos desagradáveis, em nós mesmos?  

Pode ser que, num dado momento, – motivados por forças maiores ou por vontade própria, – tenhamos que nos deparar com os próprios aspectos ‘feios’ que geramos.

E, como iremos reagir: como as patas e galinhas horrorizadas com o desengonçado ser que surgiu, incitando que ele saia da nossa frente, banindo-o? Ou seguiremos, aos ‘trancos e barrancos’, como o patinho feio até reconhecer no que podemos nos transformar?

ERA UMA VEZ UMA HISTÓRIA

Este conto, também pode ser bem atribuído aquela época da vida entre os 14 e 21 anos, em que precisamos do grupo para nos reconhecermos e em seguida, entre os 21 e 28 anos em que nos lançamos no mundo para reconhecer quem somos.

Você se sentiu acolhido pelo grupo a que pertenceu nesse período entre 14 e 21 anos?

E como vivenciou a descoberta de si mesmo ao se lançar no mundo? Como foi o exercício da sua autonomia entre os 21 e 28 anos?

Refletir sobre nossas experiências pode contribuir para recolher os aprendizados que nos fortalecem no momento atual.

Através do aconselhamento biográfico, é possível percorrer a trajetória de vida acolhendo ‘os patinhos feios’ que criamos ao longo da nossa história, e assumindo nossa singularidade.

Afinal, ao acolher o patinho feio, é possível se tornar um cisne.

Olivia Gonzalez
aconselhadora biográfica, terapeuta floral e astróloga

Olivia Gonzalez

Terapeuta corporal, terapeuta floral, aconselhadora biográfica, astróloga e facilitadora de biodança. Coordenou projeto 'Cuidando de quem cuida através da massagem' no Amparo Maternal e realiza workshops sobre as leis biográficas no processo de desenvolvimento humano, fundamentadas na antroposofia.

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