Espaço Terapêutico Movimentos - Desatar o nó na garganta
Espaço Terapêutico Movimentos - Desatar o nó na garganta

Desatar o nó da garganta

Eu gosto muito quando uma palavra ou expressão conseguem exprimir uma sensação. É o caso do “nó na garganta”. Aquela sensação como se algo estivesse preso na garganta, algo que não consegue ser desatado.

Fisicamente, não existe nada, mas o incômodo persiste. Pois é, essa não é uma sensação gostosa. E quando o nosso corpo nos chama a atenção para algo, existe sempre um aprendizado nos esperando.

Eu gosto de pensar que a garganta é um caminho. A sensação de algo preso indica que esse caminho está interrompido.

Ele existe entre a região do peito e a nossa boca. O ar que enche nossos pulmões é uma representação da atmosfera em que estamos. Como se esse ar pudesse transportar palavras e pensamentos que estão ao redor de nós.

Palavras Presas

E é também usando o ar que conseguimos criar sons que formam as palavras.

O “nó na garganta” é aquela palavra que se segurou nas cordas vocais e por algum motivo não conseguiu se transformar em expressão.

A sensação pode ser diferente em intensidade ou aparecer por diversos motivos, mas podemos partir de uma mesma reflexão: o que está difícil de engolir? O que não consegui dizer?

As respostas a essas perguntas podem não surgir tão facilmente – nem sempre o que estamos sentindo é evidente e é por isso que o nosso corpo dá um empurrãozinho. Chama a nossa atenção para o que está incomodando, nos dando a oportunidade de lidar com aquilo.

Pode ser que a palavra presa na garganta não seja adequada para a situação e por isso não pode sair. Ou então o medo da consequência dela seja muito grande e impeça esse movimento. Independente do motivo, é interessante entender que o esforço de nos expressarmos, mesmo que em um primeiro momento apenas para nós mesmos, já é muito potente.

Poderosa Ferramenta

Que tal escrever uma carta (sem o intuito de que seja entregue), àquela pessoa ou àquela situação para quem gostaria de se expressar?

A escrita é uma poderosa ferramenta terapêutica, nos possibilita deixar fluir o que está dentro de nós. E se nos permitimos sentir e expressar os sentimentos sem julgamentos, depois podemos escolher ainda melhor de que forma lidar com eles.

Não precisamos segurar ou controlar nossas emoções, mas sim prestar atenção nelas e decidir que atitudes vamos tomar diante delas.

A escrita pode ser o espaço que essa palavra precisava para se materializar e, a partir disso, talvez inclusive sair espontaneamente na comunicação falada. Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais vamos entendendo nossas emoções e que situações as despertam. Assim, é possível lidar com o que mexe conosco antes mesmo de isso se tornar um “nó”.

Como anda sua expressão no mundo? Você tem conseguido se posicionar diante das situações que se apresentam?

Bianca Lauria

Formada em Relações Internacionais pela UNESP/Marília, trabalhou no projeto de extensão Universidade Aberta a Terceira Idade (UNATI), no qual percebeu que sua jornada profissional apontava para a relação direta com pessoas e seus processos de aprendizagem e desenvolvimento. Atualmente, estuda técnicas terapêuticas que consideram as dimensões física, mental, emocional e energética nos processos de adoecimento, cura e transformação.

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