Aprender é sobre não prender
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Aprender é sobre não prender

Eu sempre gostei de aprender coisas novas e talvez por isso mesmo conheço várias pessoas com o mesmo interesse. Uma delas certa vez me disse que aprender é a-prender, ou seja, não prender. Fiquei pensando sobre o quanto vamos adicionando mais um curso, mais um livro, mais um conceito aos nossos acervos, como se pudessem ser empilhados um em cima do outro, enquanto a grande magia acontece quando justamente os aprendizados estão soltos, se relacionando entre si, convergindo e divergindo, livres.

Se apegar demais a um aprendizado e deixá-lo parado, preso, é arriscar cair em um dos extremos: “certo” ou “errado” e perder de vista todas as cores que existem entre esses dois opostos. E, acredite, sem a devida ventilação, as certezas emboloram.

É como na música “Cada lugar na sua coisa”, do Sérgio Sampaio:

“Um livro de poesia na gaveta não adianta nada. Lugar de poesia é na calçada, lugar de quadro é na exposição, lugar de música é no rádio”.

Na mesma linha, imagino que o lugar das ideias é no diálogo respeitoso, com os outros e com o mundo que observamos.

Se prender a certezas é confortável, mas é só abrindo espaço para novas perspectivas que se pode ter movimento e transformação. O movimento é natural: todos os anos passamos por diferentes estações, presenciamos os vários estágios do crescimento de uma planta e inclusive de nós mesmos. E além de espaço disponível, essas transformações também precisam de tempo  para acontecer – leva tempo aprender algo novo.

Quando nos vemos cada vez mais acostumados a respostas a um clique de distância, é um desafio praticar a paciência. Paciência de deixar algumas perguntas sem resposta, de deixar algumas compreensões maturando e alguns encaixes em suspensão.

Independente de se os aprendizados são objetivos, de conhecimento técnico, ou subjetivos, que adquirimos a partir de nossa vivência, abrir espaço é importante.

Deixar arejar, deixar movimentar, se atrever a mudar de opinião, enriquecer aquilo que já se acredita.

E, com paciência, admirar o processo, reconhecendo – e comemorando! – os passos dados até aqui.

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Bianca Lauria

Formada em Relações Internacionais pela UNESP/Marília, trabalhou no projeto de extensão Universidade Aberta a Terceira Idade (UNATI), no qual percebeu que sua jornada profissional apontava para a relação direta com pessoas e seus processos de aprendizagem e desenvolvimento. Atualmente, estuda técnicas terapêuticas que consideram as dimensões física, mental, emocional e energética nos processos de adoecimento, cura e transformação.

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