Espaço Terapêutico Movimentos - Acolhimento
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Acolhimento: uma prática do cuidado incondicional

Quando penso em acolhimento, a primeira coisa que me vem à mente é um abraço. Um abraço carinhoso, quente, que por alguns minutos abarca o outro, oferecendo amor e aconchego. Quem abraça acolhe o outro por inteiro, e recebe em troca também esse acolhimento do todo.

Eu acredito que a ideia-chave de acolhimento é justamente essa de aceitação de todas as partes. Um espaço vazio, sem contorno delimitado ou formato específico. 

Muitas vezes, porém, não é bem como acontece na prática. Isso porque nossas referências de afeto e de acolhimento por vezes estão relacionadas a alguma condição.

Não é incomum encontrar quem não se considere merecedor de descanso a não ser que termine determinada tarefa, por exemplo.

Só que podem haver alguns descompassos entre o que é considerado a tarefa completa e a quantidade de tempo e energia que estão disponíveis naquele dia para executá-la.

Como vou fazer a tarefa se não tiver descansada o suficiente? E aí as condições começam a se encavalar e o descanso, a comemoração, o carinho, o amor vão, cada vez mais, ficando para depois. 

Acolher é ver, aceitar e abraçar as coisas como são e não como gostaríamos que fossem.

Seja se tratando de nós mesmos ou dos outros. É um exercício simples, mas não fácil. Porém, os benefícios que ele traz são muito valiosos.

Amor Incondicional

Quando nos acolhemos incluindo o que consideramos defeitos ou erros, estamos criando internamente um espaço de amor incondicional que gera encorajamento e segurança.

Insistir no julgamento do erro e consequente restrição a uma forma de cuidado só reforça uma auto-imagem dolorosa de incapacidade e desmerecimento.

A vida é cíclica e tem fases – assim como nós. Por vezes mais expansivos, outras mais fechados. Alguns dias com maior energia, outros menos.

E se esquecemos disso e fazemos, por exemplo, um planejamento do dia sem considerar esses fatores, estamos fadados à frustração.

Como diz  Sallie Nichols no seu livro Jung e o Tarô: uma jornada arquetípica,

“o nosso próprio pensamento linear, que nos iludiu, fazendo-nos encarar a vida como hierarquia de consecuções que chegam cada vez mais alto até atingir, finalmente, a perfeição celeste. Somente aqueles cuja imagem da vida é uma jornada rumo à perfeição podem ser inteiramente arremessados pelo seu movimento cíclico”.

Que tal diminuir muros e condições e abraçar as coisas como são? acolher mais a si e aos outros requer prática, mas é com certeza transformador.

Curtiu esse texto? Explore mais o blog do Espaço Movimentos. E se quiser aprofundar no tema de acolhimento e ouvir um bate papo sobre, clique aqui e seja bem vindo.

Bianca Lauria

Formada em Relações Internacionais pela UNESP/Marília, trabalhou no projeto de extensão Universidade Aberta a Terceira Idade (UNATI), no qual percebeu que sua jornada profissional apontava para a relação direta com pessoas e seus processos de aprendizagem e desenvolvimento. Atualmente, estuda técnicas terapêuticas que consideram as dimensões física, mental, emocional e energética nos processos de adoecimento, cura e transformação.

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